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  • Foto do escritorRedação G7

Clima de 'normalidade' acende alerta e especialistas temem novo pico de Covid-19 na Baixada Santista

Infectologistas relembram que pandemia do novo coronavírus ainda não chegou ao fim.


A crença de que a vida está voltando ao normal tomou conta de parte da população da Baixada Santista, região de São Paulo, desde a flexibilização das atividades econômicas. O clima de 'normalidade' é percebido nos comércios lotados e nas frequentes aglomerações nas praias das cidades. Porém, especialistas garantem que essa situação é muito perigosa.

Os dados divulgados pelas secretarias de Saúde na quarta-feira (12) chamaram muita atenção. A região registrou, em 24 horas, 781 novos casos de coronavírus e 28 óbitos. Esses foram os maiores números das últimas duas semanas, o que reforça que é hora de redobrar os cuidados para evitar que um novo pico aconteça. O infectologista Evaldo Stanislau acredita que todo cuidado é pouco neste momento, pois os vírus continua circulando. De acordo com ele, a região conseguiu reduzir o número de casos, mas o coronavírus não foi embora. Então, se as pessoas baixarem a guarda, se aglomerarem e não usarem máscara, é muito possível que aconteça um repique da doença.

Praia de Santos, SP, amanheceu lotada apesar de ventos frios atingirem a região — Foto: Alex Ferraz/Jornal A Tribuna "Muitas pessoas que ainda não foram expostas e que, desta forma, não estão imunes estão indo para a rua e levando uma suposta 'vida normal', achando que tudo passou. É o elemento perfeito para uma nova crise. Se as pessoas não se cuidarem, vão se infectar. A negligência dos grupos que estão se aglomerando reflete diretamente nos números". O infectologista Marcos Caseiro reforça que ainda não é o momento de voltar à vida normal, pois a Covid-19 tem um 'efeito bumerangue'. Ou seja, ela vai diminuindo com o tempo, mas pode voltar com intensidade a qualquer momento. Dessa forma, as aglomerações em comércios e praias colocam a população em grande risco.

"Ainda que tenhamos feito mal o isolamento social, as pessoas mais idosas realmente ficaram em casa. Nossa grande preocupação, agora, é que elas voltem a sair e sejam infectadas. As aglomerações são uma total falta de empatia. Essa normalidade pode gerar uma segunda onda de casos na região. As pessoas acham que está tranquilo, abrem tudo, começam a se expôr, e os casos aumentam".


Jovens se reuniram em píer de São Vicente, SP, e formaram aglomeração — Foto: G1 Santos Cuidados Stanislau afirma que ainda vê muita gente fazendo justamento o contrário do que é recomendado pelas autoridades de saúde para evitar o contágio pela Covid-19. Ele reforma que o vírus é transmitido pela proximidade e ambientes fechados. Por isso, é necessário manter o distanciamento social, ambientes arejados, uso de máscara de proteção e constante higienização das mãos. "Esse retorno ao normal é completamente ilusório. O grande problema é que as pessoas ligam a televisão e veem a volta do futebol, além de autoridades e instituições dando mau exemplo, e acabam seguindo, porque se sentem livres para fazerem o que quiserem. Aí, temos um grande risco", explica o infectologista.

Caseiro reforça que as autoridades de saúde falam insistentemente que, quando uma pessoa usa máscara de proteção, ela está protegendo a si mesma e aos outros. E isso é essencial, mesmo quando não há sintomas, porque mesmo assim a pessoa pode estar infectada e transmitir. "Esse aumento de casos deve servir de alerta para a população entender que não estamos em uma fase tranquila, não dá para voltar à vida completamente normal".

Movimentação no comércio de rua do bairro Gonzaga, em Santos — Foto: Fabrício Costa/Futura Press/Estadão Conteúdo Fase Verde Sobre uma possível reclassificação da Baixada Santista para a fase verde do 'Plano São Paulo', do Governo do Estado, Caseiro acredita que isso poderia piorar o comportamento da população e, consequentemente, aumentar o número de casos. "Se isso acontecer, certamente entraremos em um momento de muita gravidade. Na fase verde, as pessoas vão acreditar que está tudo tranquilo e resolvido. Mas, não teremos tranquilidade absoluta até termos uma vacina". Para Stanislau, o problema não está no avanço das fases, mas no comportamento da população. "Se nós passarmos para a fase verde e as pessoas usarem máscara e não se aglomerarem, não vejo grande problema. Todos têm que fazer sua parte, senão, vai dar errado".

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